Olavo, mais uma vez, tem Razão.

Certa vez ouvi Olavo falar em um de seus vídeos que ter razão era a sua profissão. Não encontrei o vídeo, mas encontrei um post dele falando exatamente isso[1].

Para alguns pode parecer arrogância, mas há uma enorme diferença entre ser arrogante e realista. Já discorri sobre algo parecido quando falei a respeito da  arrogância e ostentação da humildade [2].

“Não se trata de arrogância assumir que é melhor do que outro em determinado assunto. inclusive isso deve ser feito, mesmo a despeito de quem possa querer julgar.
A tentativa de forjar humildade, escamoteando alguma qualidade é uma expressão tão grande de falsidade que faz com que aquele que tentou isso incorra, em nada mais nada menos que, na mais pura ostentação.

Quem faz esse tipo de coisa não está fazendo nada além de OSTENTAR A HUMILDADE”

Não foi uma vez, não foram só meia dúzia de vezes nem “apenas” algumas dúzias inteiras de vezes que ele provou por A+B que, por maior que fosse a quantidade de gente que estivesse falando o contrário dele, no fim das contas, quem estava com a razão era SEMPRE ele. E isso sempre volta a acontecer.

Uma das inúmeras vezes em que aconteceu isso foi em um debate na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Este episódio foi narrado no artigo “Antonio Gramsci e a teoria do Bode” [3].

“Num debate de que participei na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, estava eu a expor a estratégia gramsciana da ocupação de espaços e da fabricação de consensos, quando meu oponente, desejando enaltecer a figura do ideólogo italiano que minhas palavras pareciam depreciar, alegou ser ele hoje em dia o autor mais citado em trabalhos universitários no Brasil e no mundo.

A plateia não resistiu: explodiu numa gargalhada. Nunca uma pretensa refutação confirmara tão literalmente as afirmações refutadas.”

Claro que há muita gente que já ouviu outros tantos falarem muito mal de Olavo de Carvalho e, certamente, os que acreditaram nisso jamais pararam para tentar entender sobre as coisas que Olavo fala, até mesmo porque dentro do combo “o Olavo só fala merda” vem aquela dica de ouro “nem vale a pena ler/ouvir/assistir Olavo”, o que possibilita que os que seguem tal dica continuem pensando que ele só fala merda, como anunciado no combo.

Dentre esses estão vários que tentam o refutar conseguindo, no máximo, comprovar aquilo que o próprio Olavo fala e, no mínimo, apenas fazer papel de ridículo, quando não os dois ao mesmo tempo.

Um dia desses Olavo participou de uma palestra [4] onde mencionou que no Brasil 80% dos alunos que saem formados do ensino superior são ANALFABETOS FUNCIONAIS. Logo em seguida, aparece uma moça que, segundo o cara da BBC que filmava o vídeo do link, deixa Olavo numa saia justa por “confrontar” os dados dele. Impressionante, não?

Ela fala:

“Minha pergunta é para o senhor Olavo de carvalho.
Eu fiquei muito impressionada com esse dado de 80% de analfabetismo funcional entre formandos e eu fui olhar o estudo de 2015 do instituto Paulo Montenegro que faz o estudo anual sobre analfabetismo funcional no Brasil, e o dado que ele estão apresentando é de 99% de formandos no ensino superior alfabetizados funcionalmente, e 71% das pessoas que entram no ensino superior alfabetizados funcionalmente. A minha dúvida é: daonde vem esse dado?.”

Ela acaba sua participação com a lacrada

“Porque acho que essa discussão tem que ser feita embasada em algum nível de realidade”.

Confira a fala da moça.

Uma observação

Algo me faz crer que, pelo que ela menciona, ela deve ter ido “preparada” para “confrontá-lo” a respeito desse dado, pois certamente ele iria mencionar o que mencionou, pois trata-se de um grave problema que o Brasil NÃO enfrenta, apenas fomenta. Acho isso porque o relatório que ela menciona tem um tamanho um pouco grande para ser lido por inteiro e analisado no tempo que ela teve desde o momento em que ele mencionou os 80% de analfabetos funcionais até a réplica que ela fez. Caso minha desconfiança tenha algum fundamento, certamente, e em breve, virá à tona se existe e, caso exista, quem é que está por trás dela dando “suporte”.

Claro que trata-se de detalhe o que irei mencionar sobre ela alegar que o estudo é sobre analfabetismo funcional sendo que, mais exatamente, é sobre alfabetismo funcional. O analfabetismo funcional se conclui a partir de tal estudo, mas ele não é sobre isso.

Isso foi um baita golpe em Olavo, mas que acabou acertando ela mesma e, de quebra, todos aqueles que aceitaram aquilo como um desmascaramento. Foi como se ela desferisse um golpe como o do gif abaixo e a plateia a enaltecesse pelo golpe desferido. Parece piada, né? Mas, infelizmente não é.

 

Conhecendo Olavo, conhecendo tanto a horda que a todo o momento tenta desqualificá-lo quanto as táticas usadas por estes, e, principalmente, conhecendo o relatório que a própria moça menciona, fica mais do que claro que a saia justa, ao contrário do que o correspondente da BBC nos EUA falou, foi de TODOS aqueles que acharam que ela realmente refutou o que ele falou. Para qualquer um que entenda o que lê, o que escuta e o que é mostrado em uma pesquisa, fica mais do que claro que o que ela fez foi exatamente comprovar o que ele falou.

Indo atrás dos próprios dados mencionados pela moça, acaba ficando nítido um misto de ignorância, má intenção e tentativa de desqualificação por parte dela.

Abaixo eu faço um breve resumo/análise de tal relatório sendo que o mesmo, sendo público, pode ser acessado e analisado por quem quer que seja e, sendo assim, fique à vontade para discordar a respeito do que exponho, mas, por favor, não discorde por discordar; leia, entenda o relatório e entenda o que realmente aconteceu.

Trechos interessantes do relatório [5]:

“Nesse sentido, pode-se verificar ao longo de suas edições a melhoria nas condições de alfabetismo da população jovem e adulta brasileira, com redução significativa da proporção de pessoas nos níveis mais baixos, aumento nos níveis intermediários e, inesperadamente, uma estagnação da proporção de pessoas no grupo mais alto da escala de proficiência do Inaf³.

³ Se, no nível analfabeto, registramos queda de 12% para 6%, essa diminuição foi, no nível rudimentar, de 27% para 21%, entre as edições de 2001 e 2011. Tal mudança foi acompanhada pelo aumento da proporção de pessoas consideradas como de nível básico de alfabetismo, de 34% para 47% no mesmo período. Contudo, não registramos avanços na proporção de pessoas no nível de alfabetismo pleno, que oscila em torno de 25% desde a primeira edição do Inaf em 2001.”

 

Apesar de na Tabela 1 constar que os analfabetos funcionais são compostos pelos grupos “analfabeto” e “rudimentar”, e os alfabetizados funcionalmente serem compostos pelos grupos Elementar, Intermediário e Proficiente, mais abaixo, onde é feita referência ao grupo Proficiente, é dito que “apenas 8% dos respondentes estão no último grupo de alfabetismo, REVELANDO DOMÍNIO DE HABILIDADES QUE PRATICAMENTE NÃO MAIS IMPÕEM RESTRIÇÕES PARA COMPREENDER E INTERPRETAR TEXTOS EM SITUAÇÕES USUAIS e resolvem problemas envolvendo múltiplas etapas, operações e informações” – grifos meus.

Ora, se considerarmos o que consta na Tabela 1, os analfabetos funcionais são apenas 27% (e isso já não é “apenas”), mas se formos considerar como sendo analfabeto funcional aquele que não possui o domínio das habilidades necessárias para que não haja restrições para compreender e interpretar textos em SITUAÇÕES USUAIS, então se chega facilmente a conclusão de que 92% dos pesquisados SÃO ANALFABETOS FUNCIONAIS – lembrando que na Tabela 1 ainda não há a distribuição da população pesquisada por escolaridade ou por qualquer outro critério, ou seja, consta todo o universo pesquisado.

Levando em consideração o que mencionei logo acima sobre apenas o grupo Proficiente escapar do analfabetismo funcional, observando a Tabela 2a fica mais do que claro que 78% dos que chegaram ou concluíram o ensino superior – daí já acho tendencioso considerar como sendo igual quem recém chegou e quem concluiu o ensino superior, o que me faz acreditar que isso pode ter sido feito apenas para não ficar ainda pior para os que já concluíram, e acho isso porque se “manobraram” na Tabela 1 para mostrar como sendo analfabetos funcionais apenas os grupos Analfabeto e Rudimentar, por que não iriam tentar amenizar nesse ponto também? -, pois “A GRANDE MAIORIA DE QUEM CHEGOU OU CONCLUIU A EDUCAÇÃO SUPERIOR PERMANECE NOS GRUPOS ELEMENTAR (32%) E INTERMEDIÁRIO (42%), enquanto apenas 22% situam-se na condição de Proficiente da escala considerada” – grifos meus.

Ainda analisando a Tabela 2a – lembrando que é exatamente essa tabela que a moça “refutadora” deve ter feito referência, pois é a que trata da porcentagem de integrantes que se enquadram em determinado grupo de alfabetização sendo agrupados por escolaridade -, por maiores que sejam os malabarismos, simplesmente NÃO HÁ COMO CONCLUIR que 99% dos formandos no ensino superior são alfabetizados funcionalmente, e que 71% das pessoas que entram no ensino superior são alfabetizados funcionalmente, como aquela moça alegou. Primeiro porque simplesmente não consta NADA que diferencie os que estão terminando daqueles que estão iniciando o ensino superior; segundo porque simplesmente não há combinação de soma possível que dê esses resultados, e levando em consideração a precisão com que ela mencionou (99% e 71%) ela deve ter feito uma conta exata, mas exatamente ERRADA.

Ou ela simplesmente não leu, ou então ela leu e não entendeu NADA do que leu. O resto dos presentes apenas foram atrás exatamente de alguém que não entendeu o que leu, mas que pousou como se fosse alguém que havia desbancado Olavo.

Levando em conta as fontes que a “refutadora” usou, ela poderia alegar no máximo que Olavo estava exagerando em míseros 2%, pois ele falou em 80% sendo que na verdade são “ínfimos” 78% de analfabetos funcionais dentre os que cursam ou que se formam no ensino superior.

Ou melhor, como disse o próprio Olavo em seu livro “O jardim das aflições” [6], “para um mestre da retórica, palavras e aparências são tudo. Uma aparência verossímil de conceito, uma aparência persuasiva de unanimidade, podem não valer nada do ponto de vista filosófico e historiográfico. Mas, manejadas pelo retor, foram suficientes para suscitar uma poderosa onda emocional, cativar para a rebelião contra o espírito quantas insatisfações pessoais, políticas, familiares, econômicas e puramente psicopáticas se encontrassem comprimidas no auditório do MASP”

“E qual o retor que não sabe que os homens não se movem por conceitos, e sim por impressões? Apenas, o homem movido por impressões não sabe para onde se move, e por isto a ciência de produzir impressões é cultivada com esmero por todos aqueles que têm a ambição de conduzir os povos“.

Nessa passagem do livro ele menciona o MASP, mas isso serve muito bem para aquele auditório onde a plateia, ao contrário do que fez a plateia na Universidade Federal do Paraná, que notou que o interlocutor comprovou aquilo que Olavo falava, não deixava a moça provar sozinha aquilo que Olavo falou; ela acabou comprovando o que ele falou  inclusive com uma amostragem proporcional.

[1] “Ter razão é a minha profissão”

[2] Arrogância e ostentação da humildade

[3] Antonio Gramsci e a teoria do bode

[4] Palestra na íntegra

[5] INDICADOR DE ALFABETISMO FUNCIONAL – INAF – Estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho

[6] O Jardim das Aflições

[7] Em Harvard, Olavo de Carvalho prova que 80% dos universitários brasileiros são analfabetos

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